domingo, 27 de janeiro de 2013
Santa Maria: Mãe de Deus!
Rogai por nós, os pecadores, que saímos de nossas casas em busca de diversão. Rogai por nós, porque agora é preciso.
Rogai por nós que nos colocamos no lugar de cada vítima de hoje, com os sonhos destruídos: Não tem mais faculdade, não tem mais a conquista daquele amor, aquela viagem já paga, aquela surpresa que a vida reservava.
É como se eu não pudesse mais escrever este texto hoje. E amanhã eu não pudesse mais enfrentar e resolver os problemas do meu trabalho. É como se eu não sonhasse mais vender aquela ideia que eu e meus amigos consideramos genial.
Essa dor poderia ser ainda mais nossa.
Rogai por nós que imaginamos o desespero de cada pai e mãe que hoje ao acordar, olhou discretamente (como em todo fim de semana) no quarto do filho pra ver se ele já havia chegado. E a cama estava intacta. E que ligou a televisão e sentiu um tremor que não há escala pra mensurar.
É como se eu pudesse imaginar os olhos de minha mãe. E isto é profundamente triste. Poderia ter sido minha mãe.
Rogai por nós que nos colocamos na posição de cada um que perdeu um amigo. Ou alguns amigos.
É como se de repente, eu tivesse inserido uma cicatriz profunda em cada um deles. E que nunca deixará de doer. É como se eu tivesse abandonado o time e não os tivesse ajudado a resolver suas dores.
Essa dor poderia ser ainda mais nossa.
Rogai por nós que também nos colocamos no desespero do homem que segurava o sinalizador e de repente o mundo estava fora de controle.
É como se eu tivesse feito um mal irreparável para muitos alguéns. Poderia ter sido eu. Claro, que poderia ter sido eu.
Essa dor poderia ser ainda mais nossa.
Rogai por nós, que nem católicos somos. E que hoje não conseguimos esquecer a prece decorada:
“Santa Maria. Mãe de Deus! Rogai por nós os pecadores. Agora e na hora de nossa morte”
Amém!
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Lançamento de Caramelos e Almofadas

Quimera
Se eles me veem na rua
com olhar desesperado
proclamado em lágrima,
apressam-se em concluir:
- É choro de criança mimada!
E ali,
aconchegada na calçada,
meu pranto é santificado
perpetuando a crença
num mundo de caramelos
e almofadas
(Barbara Leite)
Convite para o lançamento de "Caramelos e Almofadas", de Barbara Leite
A Editora Patuá - Livros são amuletos - convida a todos para o lançamento do livro de poemas "Caramelos e Almofadas", de Barbara Leite.
O lançamento será realizado dia 01/03 - terça feira - às 19h - na loja TamTum Brasil em parceria com o Bar Seu Boteco, Rua Harmonia 343 - Vila Madalena - São Paulo - SP. A entrada para o evento é gratuita e o livro estará à venda pelo valor de R$25,00.
Por que ir?
Sobre a autora: Baiana por opção, mineira por identificação e paulistana convicta, Barbara Leite é formada em Administração de Empresas. Encontrou na produção cultural uma forma de unir administração ao amor à arte. É organizadora do Politeama - Sarau Diverso. Foi publicada em antologias, entre elas a TOC 140, organizada pela Fliporto e Mundo Mundano e os 4 Cantos do Mundo. Diz ela que é a décima esposa de Vinícius de Moraes. Há de se acreditar. Cultiva amigos, manjericão e a paz. Há de se semear. Em "Caramelos e Almofadas" jazz seu primeiro livro, há de se festejar!
Sobre o livro: Poesia e ritmo. Poesia e música – poesia é som. "Caramelos e Almofadas", de Barbara Leite, apresenta uma poeta com fortes raízes musicais. Os poemas envolvem e trazem uma atmosfera contagiante, quase um convite à dança e ao canto. Bem falou Márcio Borges, em seu prefácio ao livro: “Esta linda coleção de poemas, ora doces, ora ácidos e reflexivos, ora puramente cantáveis – e todos elaborados com grande bom gosto – com certeza irá proporcionar momentos de deleite e de reflexão ao leitor".
Sobre a Editora: Com o claro objetivo de editar gratuitamente livros de novos autores de qualidade, com excelência gráfica e, principalmente literária, a Editora Patuá - Livros são amuletos - é uma alternativa no mercado editorial brasileiro.
Sobre o local do evento: Melhor será dizer: Os locais do evento, pois o lançamento acontecerá em parceria entre a loja de almofadas e decorações Tamtum Brasil e o Bar Seu Boteco, localizado ao lado da loja. Em suas próprias palavras a TamTum Brasil é "simples, divertida e brasileira" e entre seus produtos encontram-se almofadas, futons, pufes, móveis de bambu, lanternas, objetos de cerâmica, todos decorando o lançamento de "Caramelos e Almofadas". Já o Bar Seu Boteco oferece as melhores marcas de cerveja, sempre geladas, um atendimento exemplar e uma cozinha especialista nos melhores e mais tradicionais lanches e porções.
--
Editora Patuá - Livros são amuletos
Aline Rocha e Eduardo Lacerda
Editores
..www.editorapatua.com.br
Tel.: 9768-2712 / 7022-0339
domingo, 21 de novembro de 2010
Comício do amor insano

Se eu pudesse
te daria afagos pretensiosos
e uma tarde inteira
no parque
te daria a mão
enquanto distraídos
vagássemos a cidade
eu te daria novembros inteiros
e madrugadas em claro
eu te daria roteiro
do mais bonito conto de fada
eu doaria o meu outono
e as cores da aquarela
te daria meus talentos culinários
num jantar a luz de velas
te daria o emaranhado do cabelo
e a olheira de uma noite mal dormida
te daria o pesadelo
de uma bela adormecida
te daria rugas
irritações
o meu pior
te daria luvas
peregrinações
o meu melhor
te daria estaca
um beijo
um afago
te daria estrada
bem-feito
uma praga
te daria histórias
momentos
lembranças
e depois da tempestade
furtaria a paz que traz a bonança
te daria mistérios
hemisférios
meu podre
te daria critérios
sacrilégios
viagem pra Londres
Se eu pudesse
eu escolheria...
mas quem disse que o amor
vive em democracia?
domingo, 31 de outubro de 2010
Você pode escolher o destino que quer conhecer...

- Doces ou travessuras?
Quatro vozes femininas agudas e ansiosas.
O toque da campainha no entardecer da noite de hoje me fez sentir viva. Meu pai me olhou desconfiado de quem poderia ser. Eu, na minha prece mais íntima,apenas aguardava. As palmas ouvidas segundos antes, trouxeram excitação.
Dim Dom.
Corri com mais ansiedade que a delas para pegar os bombons que acidentalmente existiam na cozinha para comungar da poesia da globalização.
Quatro vozes femininas.
As vejo sair sorridentes e agradecidas com o sacolinha de mercado rala. Retorno com o pote quase vazio após quase um minuto de êxtase.
Elas nem imaginam que hoje, coincidentemente hoje, é um dia histórico da voz feminina. Por vezes graves. Mas hoje, essencialmente femininas.
-Doces ou travessuras?
terça-feira, 8 de junho de 2010
O mais repleto vago
Itaquera é longe feito as voltas no quarteirão que eu corria nas aulas de educação física na quinta série. Coisa mais desnecessária. Mas se eu vou em Itaquera às vezes, é porque algo me interessa. Fato! Fora meus interesses, outras coisas trago.
Eu poderia ter optado pelo trem. Mas neste dia escolhi ônibus e metrô. E também escolhi ao descer a escada rolante, dobrar à direita. Tudo fugindo aos meus inconscientes princípios. Eu sempre achei que trem tem mais poesia a me oferecer do que o metrô e que o lado esquerdo apresenta cenas mais interessantes que o direito. Minhas bobagens!
Embarquei no metrô e lembrei de novo da minha professora dizendo que era incoerente embarcar em qualquer coisa que não fosse barco. Quando não estou no meu carro, costumo pensar e lembrar mais. Da Corinthians-Itaquera ao Belém são nove estações. E foi em Artur Alvim que a poesia se revelou.
Uma moça de cabelos negros, relativamente curtos entrou no vagão e se acomodou de pé perto da porta, onde eu podia a observar de frente.
O metrô começou a andar e no mesmo momento, a moça fez sinais surdos-mudos. A princípio, pensei que ela estivesse se comunicando com alguns amigos, mas ela estava sozinha. Não dei muita importância.
Na próxima parada, a cena se repetiu exatamente no mesmo momento de partida do trem. Aquilo, despertou a minha curiosidade.
Em toda partida ela coreografava os seus sinais surdos-mudos absolutamente sozinha. Os mesmos sinais. Durante mais duas estações eu tentei entender o que ela queria dizer. Mas era tão bonito que eu descartei a mensagem e comecei a supor. Sabe aquelas pessoas que cantam e dançam sozinhas pela rua? Pois é! Tive a certeza de ter a sorte de encontrar uma pessoa surda-muda que cantava e dançava sozinha pela rua. Depois, procurei câmeras pelo vagão. Poderia ser alguma cena de um curta ou de um longa mesmo. Era tão sensível! Não achei câmera alguma e resolvi apelar ao olhar incisivo.
Encarei de maneira que a mim seria incômoda, demonstrando em meu olhar toda a curiosidade e respeito ao diferente. Ela nem se abalou. O que mudou é que ela coreografava agora me fitando. A mesma dança! Sou capaz de repetir os movimentos que pude assistir por sete estações.
Não havia dúvida que ela era feliz. Que o fato de não falar e não ouvir não a impedia de escutar a música da metrópole e cantar em seus gestos. E não havia dúvida que ela me encheu de vida voltando de Itaquera. Eu ia descer no Belém e já tinha ensaiado parte da dança pra retribuir a ela um pouco do encanto. Mas ela desceu na mesma estação.
E eu retardei meus passos me fingindo de perdida na estação, apenas para ficar atrás observando um pouco mais. Ela continuou a dança pela escada rolante. E eu logo atrás sorrindo discreto. Caminhando lentamente é claro, porque poesia assim de métrica perfeita é raro encontrar.
Logo ela acenou para um rapaz que estava à sua espera. Trocaram afagos , beijos e palavras para meu espanto. Eu não podia ficar parada e esbocei ir à bilheteria só para tentar entender o mistério. Não tinha mais como postergar ficar ali observando o casal. Estava sendo mais constrangedor pra mim do que pra eles. Comecei a andar devagar e olhar para trás. Eles caminhavam para o mesmo lado que eu. Ela não dançava mais. Desci a escada rolante e parei em qualquer camelô para que eles tomassem a frente novamente. Ela não dançava mais.
Eu tinha que virar à esquerda. Eles seguiram no rumo contrário do meu inconsciente. Por um instante pensei em correr , questionar, esclarecer, agradecer... Mas era muito verbo!
Sob olhos curiosos, executei na esquina um trecho da dança que aprendi. Ela não olhou pra trás. Ela não ouviu o quanto eu a amei.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Colapso de primaveras
Eu não queria dar esta pintamas não há como negar
Dizem que há mulher que resista
eu mesma achei que não fosse passar
por este grande constrangimento
Foi o maldito fio de cabelo branco
que minha funcionária apontou
e eu nunca tinha reparado
nele ali, todo arrepiado
Foi ele que desencadeou
estes tantos dilemas
de eu desembestar
a senti-me feia
à meia noite
às três da tarde
às oito da manhã
de sentir necessidade
de cirurgia
academia
corte de cabelo
e maquiagem
Tudo que era antes bobagem
Foi o maldito fio de cabelo branco
que minha tia enfatizou
Eu não queria dar esta pinta!
mas se não for TPM
realmente eu tô fudida
ando muito desconfiada
que seja crise dos trinta
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Dialética

Não faz sentido
brincar meu carrossel
em torno da sua ausência
Tampouco lambuzar de mel
o limão que me traz
com veemência
Não faz sentido
te inundar de pólvora
se não existe fogo
brincar de índio
entrar na roda
perder seu jogo
Não faz sentido
o suor intenso
em dias frios
estender a outra face
aguardando outro abril
a memória
apostólica romana
a dança cigana
entre boleros e ventres
Não faz sentido
chantili e merengue
os poemas amassados
rasgados com fúria
esperar que sejamos brandos
feito bebida da uva
Não faz sentido
todo este tamanho
as cores lá fora
e eu aqui em preto e branco
segunda-feira, 26 de abril de 2010
O ouvido esquerdo

Não raramente , ouço uma canção e são meus olhos que aplaudem com lágrimas. Nem sempre a boca é capaz de expressar as emoções. Aliás, eu acho mesmo que boca só expressa emoção não tão emocionante.
Eu quando ouço canções, choro. Não cabe em mim tanta beleza e é preciso derramar.
Não posso permitir que as pessoas que eu amo evaporem ilesas de acordes casados com determinadas palavras na voz de determinados intérpretes. É a poesia da comunhão. Quem não acredita em Deus, tenho certeza que com certas canções abrem-se à beleza da dúvida.
Depois de passado o êxtase da beleza eu continuo o pranto. Agora egoísta, é verdade.
Tenho consciência de que também irei.E neste dia restarão muitas canções ainda desconhecidas . Canções que me doem desde hoje a hipótese de não conhecer. E quantos serão os compositores e intérpretes que ainda nem nasceram e que não poderei esperar.
Eu que me vejo um pedacinho de Deus, antecipo minhas preces suplicando que eu seja o Seu ouvido. Mas há ressalvas. Quero ser o ouvido esquerdo, aquele que ouvirá as canções que ainda não existem.
Ele que é Deus e paciente que seja o ouvido direito para suportar tanta palavra impensada de seus filhos.
Eu sou humana. Sou egoísta. E só pretendo ser o ouvido esquerdo de Deus.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Sobre amores e cajus

Sabia amor que um cajueiro demora até cinco anos para dar frutos?
Eu esperei. Não que tenha esperado com afinco. Eu joguei a semente na terra e reguei por muito tempo aguardando um sinal, mas eu não conseguia observar as raízes se espreguiçando na terra.
Meu cajueiro tornou-se uma lembrança cada vez mais distante. Raramente eu olhava o frágil caule quase desfolhado . Confesso que sempre confiei na chuva.
Existem outras árvores na vida, meu amor! E quando eu sentia tédio eu esparramava sementes pra me distrair.
Nem tudo vingou no meu pomar. Algumas deram poucos frutos que logo apodreciam e não era viável investir tempo e amor em cultivá-las. Outras, apesar dos bons frutos, morrem cedo. E a gente chora feito Zezé lastimando seu pé de laranja lima.
E de caju em caju eu lembrava do meu cajueiro. E foi um dia triste quando constatei que não sabia mais onde eu havia deixado as raízes dele. E por mais que eu percorresse meu quintal eu não conseguia lembrar e nem encontrar vestígios. Eu não conhecia um pé de caju.
Eu esperava os julhos com esperança em ver algum esboço de castanhas. Mas não havia.
Nem todos os cajueiros são iguais. Do meu cajueiro muitos querem saber. Eu conto apenas pra quem possa acreditar que um cajueiro pode frutificar depois de vinte anos, no outono e inexplicavelmente na minha cama.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
quinta-feira, 25 de março de 2010
Onde mora o passado
Foto: Clareana CunhaMeu passado
repousava sagrado
Mas eu o encontrei
Surgiram lembranças decoradas
do dia que nos vimos pela primeira vez
Mas me descobri
mancha sem face
sem corpo
sem gosto
Um mero bilhete
não correspondido
Eu nunca quis esquecer
aquela rua, aquela casa
aquele amor
Tudo é uma questão de templo
Mas algumas lembranças somem
O meu esquecido passado
repousa bonito e sagrado
na cidade do próprio nome
repousava sagrado
Mas eu o encontrei
Surgiram lembranças decoradas
do dia que nos vimos pela primeira vez
Mas me descobri
mancha sem face
sem corpo
sem gosto
Um mero bilhete
não correspondido
Eu nunca quis esquecer
aquela rua, aquela casa
aquele amor
Tudo é uma questão de templo
Mas algumas lembranças somem
O meu esquecido passado
repousa bonito e sagrado
na cidade do próprio nome
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Namoradeira

Abre a janela, Amor!
Veja se já é futuro. Se os lírios da possibilidade já se abriram. Olhe pela janela!
Porque minha sobrancelha já está delineada pra você enxergar beleza ao abrir os olhos.
Se já for futuro, eu preciso que você saiba do feitiço que descansa em minha tatuagem.
E preciso ainda que você saiba que eu não temo baratas e lagartixas, mas que eu vou fingir pânico apenas pra me aconchegar em seu peito.
Porque se for futuro, eu tenho que providenciar um lugar só nosso. Talvez uma cidade que se paralise com nosso beijo, só pelo gosto breve da eternidade.
Porque se for futuro, eu posso te emprestar minhas asas ou minha insanidade em tecer
vínculos.
E preciso ainda que você saiba que eu não temo baratas e lagartixas, mas que eu vou fingir pânico apenas pra me aconchegar em seu peito.
Porque se for futuro, eu tenho que providenciar um lugar só nosso. Talvez uma cidade que se paralise com nosso beijo, só pelo gosto breve da eternidade.
Porque se for futuro, eu posso te emprestar minhas asas ou minha insanidade em tecer
vínculos.
Não sei se já é futuro do outro lado da rua. Mas eu vejo todo dia o seu olho na fresta. Só precisa ter coragem de abrir a janela, Amor!
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Temporão

Num beijo que nem chegou a ser de amor
é onde estou agora
Era terra infértil de novo
e eu ali me semeando
Não sei que doença há nos meus olhos
e nos meus sentidos
Era superficial e fogo
e eu ali me semeando
Trovões e relâmpagos
alertavam da chuva
que não veio
Por que se injetou na dança, nos planos, nas ancas
se não era para durar?
Tudo o que é demais não cabe
e em silêncio recolhi as minhas sobras
Morri semente sonhando com podas
Barbara Leite
Imagem retirada do site: http://niilismo.net/galeria/index_10.php
domingo, 16 de agosto de 2009
Apenas vestígios
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Panorama

No tempo que assistia o mundo
dependurada nos pés de ameixa
Eu rodopiava canções bonitas em companhia do meu amado e saboreava maças do amor nas festas juninas e tinha um estoque de bilhetes apaixonados...
Contudo,
o tempo nada deixa
Onde estão as paisagens
que eu ria do arvoredo?
Pra ser só, me sobrou coragem
desisti do uso do amor placebo
sábado, 16 de maio de 2009
O que sei do que sou

Sou fruto que sorri o meu maduro
a qualquer boca esfomeada
nau sem bússola
que sabe o caminho
buscando coragem nas paradas
devastadora de almas virgens
mendiga de entender o outro
Faço fronteira com o impossível
desfilando paixões por trigo e por
joio
Coleciono saudades, esperanças
e buquês
Um estoque de amanhãs, panoramas
e porquês
No ventre
um filho que ainda não tem pai
nem vida, nem certeza
Nos pertences
delírios em excesso pra qualquer ocasião
papel , lápis e batom
Eu sou poeta
amante dos futuros
a retina que dobra a
esquina
em busca de assunto
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Pra não dizer que não falei das dores

Ainda não chegou o tempo
da colheita de estrelas
e te vejo apressado em luzir
Distraio-me no balé esverdeado
de vaga-lumes brilhando pequenos
e em bando
Você semeia engano,
eu escolho sorrir
O egoísmo é coisa natural
E quando voltar a me furtar
estenda flores em meu varal
Ps: Imagem retirada do blog: http://reclinada.blogspot.com/2008_10_01_archive.html
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Festa em mim

Não. Não foi de repente
mas não me pergunte quando
que dei pra ser contente
quando estamos nos olhando
É uma festa dentro de mim!
E se assim pareço fria,
é por não saber o que dizer
mas muito me contentaria
te nomear meu novo você
E seria outra festa dentro de mim!
Imagem retirada do site:
www.textolivre.com.br/poemas/3678-seducao
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Ainda Agora

Ela brincou de dor debaixo da chuva
alimentou-se das gotas dos temporais
olhou seu corpo e encontrava-se nua
vestida apenas com seus somados ais
Brincou de cabra cega com o passado
usou a venda nos olhos como amuleto
tateou e experimentou sabor amargo
saturou-se de brincar de ser brinquedo
Restos de lágrimas molhavam seu colo:
-É tarde,
mas ainda é agora!
E brincou de roubar coroas dos reis
reaprendeu a ser nua com estranhos
recomeçou a brincar de era uma vez
ignorando teses do seu olhar castanho
Restos de sorrisos enfeitavam seu rosto:
-É tarde,
Mas ainda é agora!
Barbara Leite
Poema musicado por Heitor Branquinho!
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
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