quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Ainda Agora


Ela brincou de dor debaixo da chuva
alimentou-se das gotas dos temporais
olhou seu corpo e encontrava-se nua
vestida apenas com seus somados ais

Brincou de cabra cega com o passado
usou a venda nos olhos como amuleto
tateou e experimentou sabor amargo
saturou-se de brincar de ser brinquedo

Restos de lágrimas molhavam seu colo:
-É tarde,
mas ainda é agora!

E brincou de roubar coroas dos reis
reaprendeu a ser nua com estranhos
recomeçou a brincar de era uma vez
ignorando teses do seu olhar castanho

Restos de sorrisos enfeitavam seu rosto:
-É tarde,
Mas ainda é agora!


Barbara Leite


Poema musicado por Heitor Branquinho!

3 comentários:

fred disse...

Excepcional poema, Bárbara.
Sem prejuízo do conjunto, quero destacar a quadra

“Brincou de cabra cega com o passado
usou a venda nos olhos como amuleto
tateou e experimentou sabor amargo
saturou-se de brincar de ser brinquedo”


que tem uma riqueza melódica maravilhosa.
Parabéns
Beijos

gutipoetry disse...

A chuva como um colírio para os olhos, a chuva como um refresco para um corpo esgotado e uma alma embaçada.O contato molhado contra a pele ressecada de carinhos da realidade.o ressuscitar de Gene Kelly...mais um lindo poema com a sua indeleável marca!

fred disse...

Já não é hora de voltar ao blog, Bárbara?
Beijos