terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Namoradeira


Abre a janela, Amor!

Veja se já é futuro. Se os lírios da possibilidade já se abriram. Olhe pela janela!

Porque minha sobrancelha já está delineada pra você enxergar beleza ao abrir os olhos.
Se já for futuro, eu preciso que você saiba do feitiço que descansa em minha tatuagem.

E preciso ainda que você saiba que eu não temo baratas e lagartixas, mas que eu vou fingir pânico apenas pra me aconchegar em seu peito.

Porque se for futuro, eu tenho que providenciar um lugar só nosso. Talvez uma cidade que se paralise com nosso beijo, só pelo gosto breve da eternidade.

Porque se for futuro, eu posso te emprestar minhas asas ou minha insanidade em tecer
vínculos.

Não sei se já é futuro do outro lado da rua. Mas eu vejo todo dia o seu olho na fresta. Só precisa ter coragem de abrir a janela, Amor!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Temporão


Num beijo que nem chegou a ser de amor
é onde estou agora

Era terra infértil de novo
e eu ali me semeando

Não sei que doença há nos meus olhos
e nos meus sentidos

Era superficial e fogo
e eu ali me semeando

Trovões e relâmpagos
alertavam da chuva
que não veio

Por que se injetou na dança, nos planos, nas ancas
se não era para durar?

Tudo o que é demais não cabe
e em silêncio recolhi as minhas sobras

Morri semente sonhando com podas


Barbara Leite
Imagem retirada do site: http://niilismo.net/galeria/index_10.php

domingo, 16 de agosto de 2009

Apenas vestígios


Não sei dos meus caminhos
de amanhã.
Nem de hoje daqui a pouco.

Sei que tenho pernas
e espasmos de intuição.

E prazer nos labirintos.
E tenho cestas de maçãs.

Detenho um grito rouco,
e pressa em seguir chão.

Meus rastros se perderam em
ânsias,

e certos pedaços de asfalto
são apenas ruas sem importância.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Panorama


No tempo que assistia o mundo
dependurada nos pés de ameixa

Eu rodopiava canções bonitas em companhia do meu amado e saboreava maças do amor nas festas juninas e tinha um estoque de bilhetes apaixonados...

Contudo,
o tempo nada deixa

Onde estão as paisagens
que eu ria do arvoredo?

Pra ser só, me sobrou coragem
desisti do uso do amor placebo

sábado, 16 de maio de 2009

O que sei do que sou


Sou fruto que sorri o meu maduro
a qualquer boca esfomeada

nau sem bússola
que sabe o caminho
buscando coragem nas paradas

devastadora de almas virgens
mendiga de entender o outro

Faço fronteira com o impossível
desfilando paixões por trigo e por
joio

Coleciono saudades, esperanças
e buquês
Um estoque de amanhãs, panoramas
e porquês

No ventre
um filho que ainda não tem pai
nem vida, nem certeza

Nos pertences
delírios em excesso pra qualquer ocasião
papel , lápis e batom

Eu sou poeta
amante dos futuros

a retina que dobra a
esquina
em busca de assunto

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Pra não dizer que não falei das dores


Ainda não chegou o tempo
da colheita de estrelas
e te vejo apressado em luzir

Distraio-me no balé esverdeado
de vaga-lumes brilhando pequenos
e em bando

Você semeia engano,
eu escolho sorrir

O egoísmo é coisa natural

E quando voltar a me furtar
estenda flores em meu varal



Ps: Imagem retirada do blog: http://reclinada.blogspot.com/2008_10_01_archive.html

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Festa em mim





Não. Não foi de repente
mas não me pergunte quando
que dei pra ser contente
quando estamos nos olhando

É uma festa dentro de mim!

E se assim pareço fria,
é por não saber o que dizer
mas muito me contentaria
te nomear meu novo você

E seria outra festa dentro de mim!



Imagem retirada do site:
www.textolivre.com.br/poemas/3678-seducao